Novo cálculo dos fretes deve garantir ganhos reais para os motoristas

O presidente do Sindicato dos Motoristas de Marília e Região, Moacir Baldicera, destacou nesta semana que as novas bases no cálculo dos fretes, adotadas recentemente pela Agência Nacional de Transportes Terrestres e publicadas no dia 21 de agosto no Diário Oficial da União, precisam garantir ganhos reais para os profissionais do volante. “Sabemos que em Marília muitos motoristas estão, na verdade, pagando para trabalhar. Pois, acertam valores de fretes que acabam não cobrindo os gastos da volta”, disse. Nestes casos, o “lucro da viagem” é conquistado no frete da volta. Ao chegarem nos locais de destinos, os motoristas ficam à espera de um frete de volta. ” Mas, muitas vezes, o tempo em que ele fica aguardando uma nova carga consome parte da sua remuneração”, analisou o sindicalista.

Resolução da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicada no dia 21 de agosto no Diário Oficial da União estabelece a metodologia e os parâmetros para o cálculo dos gastos com frete, para a prestação de serviço de transporte rodoviário remunerado de cargas. Segundo a ANTT, a metodologia apresentada “não se aplica à obtenção do valor final do frete, uma vez que não considera a margem de lucro em seus cálculos”, e que representa apenas “parâmetros de referência” para o chamado”custo-peso”, que abrange tanto custos fixos como variáveis.

Entre eles, gastos com reposição do veículo e de equipamentos, remuneração mensal do capital empenhado no veículo, mão de obra do motoristas, tributos, risco de acidentes e roubo, além dos gastos decorrentes do tempo parado de carga e descarga do veículo, de deslocamento. Segundo a resolução, os parâmetros apresentados como referência para os custos de frete terão vigência de 12 meses.

As mudanças já eram esperadas pelo Sindicato dos Motoristas de Marília e Região já que desde o ano passado a categoria lamenta os baixos valores de frete. “Discutíamos justamente essa ideia de que o motorista não pode pensar que o lucro será obtido apenas na volta. Caminhão que parte tem que voltar para o lugar de origem e o frete precisa compensar a ida e a volta”, comentou o sindicalista. Moacir lembrou que a categoria necessita de garantir ganhos reais, uma vez que o profissional do volante contribui para o desenvolvimento e o crescimento da economia brasileira.

Matéria publicada no Jornal Cidade 31/08 a 06/09/2015

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